15 nov 2019

Portugal Low Cost = Portugal Low Quality?

Categoria Artigos de Opinião
  • Portugal Low Cost = Portugal Low Quality?
Ser competitivo é ter o preço mínimo? Sim, mas para a mesma oferta de valor!
Ou seja, quando se contrata uma empresa de projeto, com dezenas de Engenheiros e Arquitetos nos seus quadros, com um sistema de gestão da qualidade, com trinta anos de experiência, com milhares de projetos no portfolio, será que é o mesmo que contratar uma empresa com 1 pessoa (não precisa ser engenheiro) que reúne uma equipa para a gestão de um contrato? Será que o valor é o mesmo? Como se pode entender que uma empresa com o capital social de 1€ (sim é possível ter uma empresa de capital social de 1€), sem pessoas no quadro, sem "track record", concorra em igualdade de circunstâncias, a todos os projetos, com outras que supostamente tem outra estrutura de custos e a correspondente capacidade? 
O Sr. Bastonário da Ordem dos Engenheiros, Eng.º Carlos Mineiro Aires, disse recentemente:
"a nossa engenharia na área da construção tem uma qualidade que é reconhecida em todo o mundo, mas também as nossas empresas do setor foram destruídas durante e depois da crise. Recordo que desapareceram cerca de 65 mil empresas e das 25 grandes que tínhamos restam-nos três, para além de terem abandonado a profissão ou saído do país mais de 300 mil operários e uma grande maioria de especializados."
 
Destruímos cerca de 65 mil empresas e empurrámos 300 mil pessoas para outros países (que agradecem), muitas eram pessoas competentes e empresas sólidas, que prestavam serviços de projeto em Portugal e além-fronteiras.
 
Enquanto não entendermos que não se constrói um País ao preço mínimo, não podemos reclamar os honorários miseráveis que hoje se pagam aos engenheiros, arquitetos e restantes cidadãos qualificados, que os melhores talentos emigrem, que as empresas fechem, que tenhamos tanta dificuldade em contratar pessoas e que cada vez mais existam empresas de 1 pessoa. Ter lucro para investir nas pessoas e no país não é um crime.
Claro que existe espaço para o consultor isolado e para as empresas pequenas. Se estas não existirem a concorrência também não funciona. A questão é que estamos a destruir as empresas de 30 pessoas e a criar 20 empresas de 1 pessoa (os outros 10 emigraram). Será este cenário benéfico para o país?
 
Penso que existem critérios objetivos que podem ser usados para termos uma concorrência salutar. Pessoas no quadro da impresa, certificações, track record ("track record of a person, company, or product, you are referring to their past performance, achievements, or failures in it"). Se tentarmos trabalhar num país da europa pedem-nos "track record". Em Portugal pedem-nos preço.
Depois de destruir muitas empresas de construção que eram capazes, assistimos a um aumento enorme do preço de construção e uma incapacidade de responder às necessidades do país e às obras necessárias à concretização do quadro de aplicação dos fundos da União Europeia, 2020. 
 
O mesmo se irá passar no sector dos serviços.
 
Um país sem pessoas qualificadas é uns pais atrasado. Nesse aspeto recuámos alguns anos. Não é necessário criar subsídios para que as pessoas regressem ao seu país, basta criar condições para que as possamos reter.
 
J. Catarino 
Últimos artigos
06 dez 2019
NOVAS TECNOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO II
03 dez 2019
NOVAS TECNOLOGIAS NA CONSTRUÇÃO
29 nov 2019
Construção Civil do 80 ao 8
Partilhar artigo Partilhe este artigo nas redes sociais
x
O nosso website usa cookies para ajudar a melhorar a sua experiência de utilização. Ao utilizar o website, confirma que aceita a sua utilização. Esperamos que esteja de acordo. Política de Utilização de Cookies.