15 jan 2019

Água Não Faturada

Categoria Indicadores ERSARP
  • Água Não Faturada

 

Assunto: Indicadores ERSARP

Título: Água Não Faturada

 

Anualmente, a Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos em Portugal (ERSARP), publica o relatório anual do setor onde divulga informação relevante e de referência sobre os serviços de abastecimento público de água, de saneamento de águas residuais urbanas e de gestão de resíduos urbanos. Em Dezembro de 2018 foi publicado o mais recente relatório, com os dados referentes ao ano transato.

Um dos indicadores a que anualmente acedemos com maior curiosidade é o de Água Não Faturada. Este indicador, conforme descrito na própria publicação da ERSAR, pretende “(…) avaliar o nível de perdas económicas correspondentes à água que, apesar de ser captada, tratada, transportada, armazenada e distribuída, não chega a ser faturada aos utilizadores.” Simplificadamente, o indicador é definido como a percentagem de água entrada no sistema e que não é faturada.

A água não faturada confunde-se recorrentemente com perdas de água por fugas na rede, no entanto, ela engloba um leque mais abrangente de utilizações como a água utilizada em fontanários e lagos urbanos, água utilizada na limpeza de condutas, água cedida gratuitamente a coletividades e mesmo água furtada através de ligações ilegais, por exemplo. Não obstante, tal como referido na definição, é água que é “(…) captada, tratada, transportada, armazenada e distribuída (…)”, ou seja, é água que representa um custo para as entidades gestoras.

Em 2018, em Portugal, a Água não faturada nos sistemas em baixa (simplificadamente as redes de distribuição de água nos aglomerados populacionais) foi de cerca de 30,2%, enquanto nos sistemas em alta (simplificadamente os sistemas que tratam da captação, tratamento, transporte até aos aglomerados populacionais e armazenamento) foi de cerca de 4,9%, pelo que, de acordo com os parâmetros estipulados:

Qualidade do serviço boa                  -           [0,0; 20,0]

Qualidade do serviço mediana          -           [20,0; 30,0]

Qualidade do serviço insatisfatória    -           [30,0; 100]

 conclui-se que a percentagem de água não faturada é insatisfatória no serviço em baixa.

Ao verificarmos os resultados por entidade gestora de serviço em baixa, em termos qualitativos, obtemos a dispersão em Portugal Continental que em seguida se reproduz.

 

Fonte: RELATÓRIO ANUAL DOS SERVIÇOS DE ÁGUAS E RESÍDUOS EM PORTUGAL | 2018 | Volume 1

 

Quando confrontamos este indicador com os valores dos últimos anos, verificamos que o mesmo se tem mantido estável, o que, face ao mesmo, não será necessariamente um bom desempenho.

 

Fonte: RELATÓRIO ANUAL DOS SERVIÇOS DE ÁGUAS E RESÍDUOS EM PORTUGAL | 2018 | Volume 1

 

Refinando a nossa análise aos dados apresentados deste indicador, os valores obtidos para água não faturada atingem uma dispersão enorme em Portugal, variando entre os 76.9% de Macedo de Cavaleiro, por exemplo, até aos 5,1% da Infraquinta, no Algarve. Na zona Centro, a dispersão deste indicador por entidade é a constante nas imagens seguintes:

 

Fonte: RELATÓRIO ANUAL DOS SERVIÇOS DE ÁGUAS E RESÍDUOS EM PORTUGAL | 2018 | Volume 1


A Água não Faturada não representa necessariamente, por definição, um desperdício. No entanto, quando confrontados com valores da ordem dos 50%, 60%, 70% da água captada, tratada, transportada e armazenada que não é depois faturada, não podemos deixar de nos preocupar com a sustentabilidade do sistema.

Na Central Projectos reunimos uma equipa especializada com capacidade para trabalhar em conjunto com as entidades gestoras e efetuar avaliações concretas sobre os sistemas urbanos de distribuição de água, identificando as suas principais fraquezas e auxiliando na concretização de soluções que permitam de facto melhorar os níveis de serviço.

O investimento em infraestruturas deve deixar de ser encarado como um custo, mas sim como um investimento de facto na economia, no presente e no futuro. No Reino Unido, por exemplo, estima-se que as Entidades Gestoras de Sistemas de Água e Saneamento venham a gastar cerca de 50 biliões de Libras durante o próximo quadro de investimentos (entre 2020 e 2025) na melhoria dos seus serviços e dos seus planos de negócios. Ao mesmo tempo preveem a diminuição da fatura ao consumidor em cerca de 4% em média com a diminuição dos volumes de fugas e perdas em cerca de 16% ao longo deste período de 5 anos como fruto deste investimento.

B. Henriques

 

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